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DriverSignal

Como definir o seu piso por hora e conseguir cumprir

Marcio AzevedoRideshare driver in Durham, NC · Founder of DriverSignal
8 min read

Resposta curta

Piso é o mínimo de líquido por hora que faz valer a pena estar no carro em vez de em qualquer outro lugar. Chegue nele por um dos três caminhos: o que você ganharia fazendo outra coisa, a sua própria mediana medida, ou os seus custos fixos divididos pelas horas que pretende rodar. Depois transforme o piso numa regra de tela: bruto mínimo = piso × minutos totais ÷ 60 + quilômetros totais × seu custo por quilômetro. Piso que você renegocia a cada ping não é piso.

Piso é o número que você defende quando o card aparece na tela com dezoito segundos correndo. Sem ele, toda oferta parece aceitável, porque a única comparação disponível é entre aceitar aquela e não ter nenhuma.

Este texto é sobre chegar no seu número e sobre conseguir cumprir, que é a parte difícil.

A resposta curta

Piso é o líquido por hora abaixo do qual você não aceita. Líquido, não bruto. Por hora, não por corrida.

Ele sai de um dos três caminhos abaixo, e depois vira uma regra que cabe em quatro segundos de tela.

Por que por hora, e não por quilômetro

Motorista costuma raciocinar em reais por quilômetro porque é o que a corrida parece oferecer. É a métrica errada, e o motivo é fácil de ver.

Uma corrida de 3 quilômetros por R$ 12 dá R$ 4,00 por quilômetro, um número que parece ótimo. Se ela leva 25 minutos porque atravessa o centro num fim de tarde, o seu ganho é de R$ 28,80 por hora antes de qualquer custo. Uma corrida de 30 quilômetros por R$ 45 dá R$ 1,50 por quilômetro, um número que parece ruim, e leva 35 minutos por via expressa: R$ 77,14 por hora antes de custo.

O que você vende não é distância. É tempo. O quilômetro entra na conta como custo, do lado do combustível e do desgaste, e não como medida de valor.

Caminho um: o que você ganharia fazendo outra coisa

O piso mais defensável é o custo de oportunidade, porque ele responde a pergunta que você está de fato fazendo: vale a pena estar aqui.

Pense na melhor alternativa real que você tem para aquela hora. Não a melhor imaginável, a que você poderia começar na semana que vem. Um turno em outro serviço, uma diária, um bico que você já fez antes. Pegue o valor por hora dela, tire o que ela também custaria em deslocamento e alimentação, e você tem um piso com fundamento.

O motivo de esse caminho funcionar é que ele não depende de você achar que merece um número. Ele é comparativo, e comparação é uma coisa que dá para defender às três da manhã com sono.

Caminho dois: a sua própria mediana

Se você já roda há algum tempo e anota, o seu histórico é a melhor fonte que existe, porque descreve a sua cidade e o seu carro sem intermediário.

Meça o líquido por hora de cada turno por três ou quatro semanas. Coloque em ordem. Pegue um valor um pouco acima do meio da lista, não a média: a média é puxada por um ou dois turnos excepcionais que não vão se repetir toda semana.

É essa a lógica que o piso adaptativo do DriverSignal usa. Ele calcula o percentil 60 do líquido por hora do próprio motorista e passa a usar isso como referência depois de 50 ofertas medidas, com um limite mínimo e máximo para o número não fugir. Esse limite vem em dólar, porque o motor nasceu no mercado americano, e eu não converto valor em dólar para real neste site. O porquê está explicado em custo por km.

O que interessa aqui é o mecanismo, e ele funciona em qualquer moeda: o seu piso é um pouco acima do seu resultado típico, o suficiente para cortar a cauda ruim sem te deixar parado.

Caminho três: as contas de trás para frente

Este é o caminho de quem tem parcela do carro ou aluguel, e é o mais concreto dos três.

Some tudo que sai do bolso no mês independentemente de você rodar: parcela ou aluguel, seguro, IPVA e licenciamento divididos por doze, celular e dados. Divida pelas horas que você pretende ficar disponível no mês. O resultado é quanto de cada hora já está comprometido antes de você ganhar qualquer coisa.

Se são R$ 1.800 de custo fixo e 180 horas por mês, são R$ 10 por hora de pedágio. Agora some o que você precisa levar para casa por hora para a sua vida fechar. Se são R$ 22, o seu piso é R$ 32 por hora líquido dos custos variáveis.

Esse piso tem uma vantagem sobre os outros dois: ele é impossível de negociar consigo mesmo, porque o boleto não negocia.

Do piso para a tela em quatro segundos

Piso por hora é ótimo para pensar e péssimo para usar com o cronômetro correndo. Converta em bruto mínimo.

Bruto mínimo = (piso por hora × minutos totais ÷ 60) + (quilômetros totais × seu custo por quilômetro)

Totais quer dizer somando o trajeto até o passageiro nos dois, minutos e quilômetros. É o erro mais caro dessa conta e está detalhado em o trajeto até o passageiro.

Vamos preencher. Um motorista no Paraná, onde a gasolina comum saiu a uma média de R$ 6,65 por litro entre 29 de junho e 24 de julho de 2026, calculada sobre 1.068 postos pesquisados pela ANP (a mediana ficou em R$ 6,69 e as observações individuais foram de R$ 5,87 a R$ 7,39). Com um carro fazendo 11,9 km por litro, o combustível sai a R$ 0,56 por quilômetro. Somando R$ 0,25 de desgaste medido nas próprias notas, o custo é de R$ 0,81 por quilômetro. O piso dele é R$ 30 por hora.

Chega uma oferta de R$ 28,00: 14 quilômetros de corrida, 4 até o passageiro, 22 minutos de corrida, 7 até chegar.

| Etapa | Cálculo | Resultado | |---|---|---| | Quilômetros totais | 14 + 4 | 18 km | | Minutos totais | 22 + 7 | 29 min | | Custo do carro | 18 × R$ 0,81 | R$ 14,58 | | Parte do piso | R$ 30 × 29 ÷ 60 | R$ 14,50 | | Bruto mínimo | 14,58 + 14,50 | R$ 29,08 |

A oferta de R$ 28,00 fica R$ 1,08 abaixo. Não é uma corrida ruim de escandalizar ninguém: é uma corrida que passa raspando por baixo e que, repetida oito vezes por turno, é a diferença entre o seu mês fechar e não fechar.

Na prática, depois de duas semanas você para de calcular e passa a reconhecer. O cérebro guarda a faixa e o card na tela vira uma comparação, não uma conta.

Quando quebrar o piso é a decisão certa

Piso rígido demais também custa dinheiro. Três exceções que se justificam.

Promoção viva. Se você está a três corridas de uma meta com valor definido, esse dinheiro pertence às três corridas seguintes. Divida o valor pelas corridas que faltam e some a cada oferta enquanto a promoção estiver de pé. A conta completa está em bônus e horário de pico.

A última do turno na direção de casa. O trajeto de volta você faria de qualquer jeito, então o custo dele já estava pago. Uma corrida que te leva para o lado certo pode valer abaixo do piso.

Reposicionamento com dado, não com esperança. Uma corrida que te tira de uma zona morta e te deixa numa região que você sabe que gera pode compensar mesmo abaixo do piso. Sabe, não acha. Se for palpite, é só uma corrida ruim com uma desculpa boa.

Fora dessas três, aceitar abaixo do piso é escolher que a distribuição de ofertas decida o seu ganho por hora no seu lugar.

O que cumprir o piso custa

Vale dizer, porque a parte que não me favorece também é informação.

Recusar mexe na taxa de aceitação, e a taxa de aceitação entra como critério dos níveis do Uber Pro. Perder o nível significa perder os benefícios dele. Além disso, várias recusas seguidas costumam gerar uma pausa curta sem receber oferta, relatada de forma consistente por motoristas e sem número publicado. A versão completa, incluindo como colocar preço no seu nível, está em taxa de aceitação Uber.

E existe uma zona que ninguém de fora consegue medir: se a taxa muda quais ofertas chegam até você. Eu não sei, e não vou fingir que sei.

Uma consequência prática disso: recuse em bloco, não a conta-gotas. Se a região está mandando só corrida ruim, brigar com ela recusando quinze seguidas é a forma mais cara de reagir. Mudar de área ou desconectar por vinte minutos custa menos.

O que o DriverSignal faz aqui

Ele guarda o seu piso e faz o bruto mínimo automaticamente em cada oferta.

Lê o card que já está na sua tela, soma os quilômetros e os minutos até o passageiro, aplica o seu custo por quilômetro e mostra o líquido por hora comparado com o seu piso antes de o tempo acabar. Roda no celular e não pede a sua senha da Uber. Não toca em Aceitar nem em Recusar: ele informa, você decide. Hoje ele lê Uber e 99. Não lê inDrive, e isso foi decisão de produto e não pendência.

Dá para começar sem instalar nada em a calculadora de vale a pena, que mostra a aritmética inteira, ou pelo resumo das contas da corrida.

Escolha um dos três caminhos hoje e escreva o número num papel. Piso que mora só na cabeça é piso que se renegocia.

Perguntas frequentes

O que é piso por hora

É o valor líquido por hora abaixo do qual você não aceita uma corrida. Líquido significa depois de combustível e desgaste sobre todos os quilômetros, inclusive os do trajeto até o passageiro. É o número que separa uma decisão de um palpite, porque sem ele toda oferta parece razoável quando comparada com nenhuma oferta.

Qual é um bom valor de piso

Não existe um valor que sirva para todos, e quem te der um está chutando sobre a sua cidade e o seu carro. O piso sai de você: do que você ganharia fazendo outra coisa naquela hora, da sua própria mediana medida em algumas semanas, ou dos custos que precisa cobrir. Os três caminhos estão detalhados neste texto.

Como aplico o piso com o card na tela e poucos segundos

Convertendo o piso em bruto mínimo. Bruto mínimo = piso por hora × minutos totais ÷ 60, mais quilômetros totais × seu custo por quilômetro. Some sempre o trajeto até o passageiro nos dois. Com prática dá para fazer de cabeça em quatro segundos, e é exatamente essa conta que o DriverSignal faz automaticamente.

Quando faz sentido aceitar abaixo do piso

Quando existe dinheiro fora da corrida que a corrida destrava, e você consegue calculá-lo. Uma promoção viva com exigência de corridas muda a conta, e a forma certa é dividir o valor da promoção pelas corridas que faltam e somar a cada oferta enquanto ela estiver de pé. A última corrida do turno na direção de casa também é um caso legítimo, porque o trajeto de volta você faria de qualquer jeito.

Recusar por causa do piso pode me prejudicar

Tem um custo real e não é a sua conta. A taxa de aceitação entra como critério dos níveis do Uber Pro, e várias recusas seguidas costumam gerar uma pausa curta sem oferta. Desconfie de quem te diz que recusar não te afeta em nada e desconfie igualmente de quem diz que a sua conta cai por isso.

Acesso antecipado

Saiba o que a oferta realmente paga.

O DriverSignal lê o cartão da oferta na sua tela e o avalia com base no seu próprio custo por milha e no seu mínimo por hora — no aparelho, antes de você aceitar.

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